Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Bilionários > Laços de Família - O viúvo e a CEO
Laços de Família - O viúvo e a CEO

Laços de Família - O viúvo e a CEO

Autor:: Mah Louvid
Gênero: Bilionários
Cada pessoa tem o seu objetivo de idealização, aquele feito que considera ser preciso alcançar para ser completa na vida. Angeline, é uma empresária bem sucedida, mas que por conta de uma traição, se tornou fria e fechada, temendo ser novamente ferida. Determinada, focou em seu trabalho, se tornando ainda mais próspera. Mas quando a vida a surpreende com uma segunda chance de ser mãe, ela descobre que a maternidade pode ser o desafio mais gratificante de sua vida. Raphael, um confeiteiro talentoso, que ficou viúvo recentemente e ainda está se recuperando da perda da esposa, se dedicando exclusivamente ao trabalho. Descobre através de uma carta que o embrião que eles haviam criado foi doado, e um misto de emoções o toma: alegria, tristeza e um desejo profundo de conhecer esse bebê que ele até então ele nem imaginava existir. À medida que Angeline e Raphael começam a compartilhar a paternidade das filhas, eles descobrem que a amizade pode ser apenas o começo. Mas será que Angeline, com seu coração de gelo, estará disposta a se entregar ao amor novamente? E será que Raphael, com sua doçura e paixão, conseguirá derreter o coração de Angeline?

Capítulo 1 Prólogo Meu Mundo Desmoronando

Angeline

Mais uma vez olho para os papéis que me trouxeram de volta a esperança que havia perdido, e tudo por culpa de um médico que não fez bem seu trabalho.

Depois de dois anos de casamento com Leôncio e sua insistência em termos uma família, aceitei procurar um especialista, só fiz uma péssima escolha no momento de escolher o médico.

Há quase seis meses, fui para uma consulta e sai de lá destruída, com o coração despedaçado após ouvir do médico aquela maldita frase: "Sinto muito, mas a senhora não poderá ser mãe, nem mesmo a fertilização in vitro é possível para a senhora".

Desde a adolescência, eu sabia de meus problemas, afinal, após meses sofrendo com cólicas terríveis, minha madrasta, Melina, me levou até um ginecologista e lá eu soube o quanto eu era rara, ou em minhas palavras, uma azarada, pois nasci com duas doenças que as chances de ocorrer juntas em uma pessoa, são uma em um bilhão. Eu havia nascido com útero unicorno, o que quer dizer que meu útero tem metade do tamanho normal e apenas uma tuba uterina e um ovário. E também tinha endometriose, que era a causa de minhas cólicas. Para o tratamento, eu tinha que tomar remédios hormonais constantes, que mantinham o problema sob controle.

Essas duas doenças em si já eram difíceis de lidar, mas, eu conseguia levar, pois ainda existia uma pequena esperança de um dia ser mãe. Porém, por conta dos anos de uso constante de hormônios, meu ovário foi atrofiado e por essa razão não poderia mais produzir óvulos. O que causou minha já então infertilidade ainda mais irreversível.

Apesar de estar destruída com a notícia, tentei seguir em frente e Leôncio me deu todo apoio, e isso me fez começar a pensar na proposta que ele vem me fazendo nos últimos três meses: adoção.

Esse seria o melhor modo de termos a nossa tão sonhada família, e apesar de ter sido contra no início, venho reconsiderando a ideia, pois sei que existem muitas crianças por aí esperando por um pouco de amor e carinho, e isso nós temos de sobra para dar.

Já faz anos que sou doadora para dois orfanatos da cidade, cuido de todas as crianças para que nada lhes falte, porém nunca considerei adotar nenhuma. Não é nenhum preconceito, adoraria levar todas comigo, mas a verdade é que sempre sonhei em engravidar e vivenciar tudo que uma gravidez traz.

No entanto, apesar de ter aceitado a ideia de adoção, ao falar com meu irmão, Lohan, acabei por procurar uma segunda avaliação, e para não causar falsar esperanças em meu querido marido, dessa vez fui sozinha.

E foi esse médico que me deu a boa notícia, embora não fosse a perfeita, pois eu não posso mesmo ter filhos biológicos, mas posso sim fazer uma fertilização, só precisarei usar uma doação de óvulo, que a própria clínica possui.

Deixando os papéis de lado, decido que preciso contar a novidade para Leôncio e não posso esperar até à noite, ainda mais porque pela manhã Leôncio veio com uma ideia nova de auxiliar uma moça grávida e assim vamos poder estar com a criança desde o princípio, e depois que nascer, poderemos adotá-lo e teremos um filho.

Porém, agora sei que poderei dar um filho a ele que terá seu sangue, e quem sabe até mesmo depois podemos adotar também, espaço temos de sobra.

Com minha decisão tomada, saio de minha sala e depois de avisar minha secretária que não voltarei mais hoje para o hotel, sigo em direção à empresa de meu sogro, Santiago, onde sei que Leôncio está nesse horário.

Assim que cheguei à sede da Dirksen, bem no centro de Los Angeles, apenas digo "olá" para as recepcionistas e subo direto para o andar da presidência, onde vou até a mesa de Ruth, a mais nova secretária deles.

- Boa tarde Ruth, como vai?

- Boa tarde senhora Dirksen, em que posso ajudá-la?

- Eu queria fazer uma surpresa para o Leôncio, ele está na sala dele?

- Sim senhora, ele está com o senhor Dirksen, mas a senhora pode ir até lá.

- Obrigada.

Sorrindo, sigo pelo corredor que leva até a sala de meu esposo, mas quando toco na maçaneta, a voz de meu sogro, dizendo meu nome, me faz congelar no lugar.

- ...Angeline é orgulhosa, ela não irá aceitar.

Sei que sou orgulhosa, mas nunca pensei que ouviria Santiago falando assim de mim. E o que será que não aceitarei?

- Não se preocupe, pai - Reconheço a voz de Leôncio. - Ela vai aceitar, Angie me ama e nunca me negaria uma família.

Então se trata da questão da adoção, minha vontade é entrar e dizer o que vim falar, mas não consigo sair do lugar, pois algo dentro de mim diz que devo ouvir primeiro.

- Espero que esteja certo ou sua tia nos deixará sem absolutamente nada.

O que Ariadna tem a ver com o desejo de Leôncio em construir uma família? E por que ela os deixará sem nada?

- Não se preocupe meu pai, tia Dina foi bem clara em sua regra, ela quer que eu tenha um filho para dar segmento na família, e um filho eu terei.

Então ele não se importa em termos uma família? Está apenas cumprindo uma exigência da tia para garantir a fortuna dela para si?

- Você está se arriscando demais, se Angie descobrir, nunca te perdoará.

O que foi que Leôncio aprontou?

- Acalme-se, a Angie jamais saberá.

- Para sua sorte, espero mesmo que não.

Sem me sentir mais presa, abro com força a porta e encaro dois pares de olhos surpresos.

- Então Leôncio, o que não jamais irei saber? - Pergunto com raiva.

- Querida que surpresa lhe ver aqui - Ele vem até mim, mas levanto a mão para fazê-lo parar.

- Eu pensei que sua insistência era pelo desejo de ter uma família comigo, mas agora vejo que tudo não passa de ambição.

- Angie, me deixe te explicar tudo com calma.

- Fale, estou ouvindo - Cruzo os braços em defensiva, me preparando para o que ouvirei.

- Eu sempre quis ter uma família, mas há um ano minha tia veio para uma reunião e falou que só me deixaria tudo em herança, se eu tivesse um herdeiro para quem deixar no futuro. Eu não quero perder a empresa e nem a fortuna que irei receber, por isso comecei a insistir mais em tentarmos ter um filho.

Surpreendo-me com sua honestidade, por um momento pensei que ele negaria tudo que ouvi, mas em vez disso, o vejo me contando a verdade. Será que posso o julgar por não querer perder uma herança que sempre julgou ser sua, já que a tia nunca teve filhos?

- Certo, até posso entender isso, mas por que não me contou? E mais importante, por que seu pai disse que você estava se arriscando e eu nunca o perdoaria?

- Estou me arriscando, pois minha tia pode não aceitar a adoção e me deserdar, mas ainda assim, quero ter uma família com você. E ele temia que você ao saber da exigência de minha tia, ficasse com raiva e não me perdoasse por esconder, afinal vocês duas nunca se deram muito bem.

Se antes senti que ele me dizia a verdade, agora sinto que ele está mentindo e não sei o que fazer.

- Com licença, preciso de um momento.

Sigo até o banheiro privativo da sala e me fecho ali dentro, jogo um pouco de água no rosto para ajudar a me acalmar. Eu vim até aqui para contar que poderei ter um bebê, mas após saber sua mentira, não tenho mais essa confiança em dar um passo tão grande, pois, Leôncio não quer um filho por amor, quer pôr dinheiro.

Em meio as minhas reflexões sobre o que fazer agora que descobri esse segredo de Leôncio, escuto meu sogro dizendo que irá para sua sala, nos deixando a sós para resolvermos a situação. Com isso, decido limpar o rosto e ir conversar com meu esposo, porém, antes que eu saia do banheiro, ouço uma nova voz proferir uma frase que faz meu mundo ruir de vez.

- Leôncio, o bebê está mexendo, venha sentir - É uma voz feminina familiar.

- Lilith, agora não, depois conversamos - Leôncio parece nervoso.

- Olha Leôncio, eu sei que terei que deixar sua esposa ser a mãe desse bebê, mas, eu me importo com ele, e você poderia demonstrar um pouco mais de carinho para com o seu filho.

Não pode ser verdade, Leôncio não pode ter me traído dessa forma. E como assim, eu serei a mãe desse bebê, que conversa é essa?

- Lilith, agora não... - Sua voz é baixa e reconheço o tom raivoso dele. - Vá pra sua sala e depois conversamos.

- Eu sou a mãe verdadeira de seu filho, você poderia me tratar com um pouco mais de respeito.

Já tendo ouvido o suficiente, abro a porta e me deparo com Lilith ao lado de Leôncio, ela me olha com uma expressão assustada, mas o que me chama atenção, no entanto, é sua barriga, essa mulher deve estar grávida de uns cinco meses, o que significa que para esse bebê ser filho de Leôncio, ele me traiu no pior momento de minha vida.

- Agora vejo o que de fato seu pai temia que eu descobrisse: que você é um desprezível desgraçado, que não bastando me trair, ainda queria me fazer assumir esse filho como se não fosse seu.

- Angie, calma, meu amor, não é nada disso que você está pensando.

- Eu não sou burra e nem surda, ouvi muito bem o que ela falou, seu filho que eu irei criar, ou melhor iria, pois nunca aceitarei tamanha sem-vergonhice. E não sou seu amor, pois se fosse, você nunca teria sido capaz de me trair de forma tão baixa.

- Amor, me ouça.

- NUNCA MAIS ME CHAME DE AMOR - Grito histérica. - Eu poderia esperar uma punhalada nas costas de muitas pessoas, mas nunca do homem que me jurou amor e fidelidade.

- Não é como você está pensando, eu não lhe traí.

- E você chama ter um filho com outra mulher do quê? Uma prova de amor para a sua esposa estéril?

- Se me ouvir irá entender... - Leôncio tenta vir até mim, porém, me afasto.

- Não quero ouvir mais nada, o que ouvi hoje já foi mais que suficiente.

- Senhora... - lanço um olhar mortal em direção à fulana, que a faz se calar.

Não consigo sequer olhar em sua direção por mais de alguns segundos, pois vejo em seu corpo àquilo que tanto anseio. E pior ainda, vejo a prova da traição de quem pensei me amar e para quem dei meu amor.

- Você fique quieta que a conversa é entre nós dois, e não irei discutir com uma mulher grávida.

- Angie, você está nervosa, vou te levar para casa e lá conversaremos com calma.

- Não estou nervosa, estou ferida. O que você fez não tem perdão. Se tivesse enfiado um punhal em meu peito teria doído menos.

Respiro fundo para me recompor e não me expor mais do que já fui exposta em frente a esses dois.

- Não temos mais nada a conversar, pois não sou de dar atenção para canalhas do seu tipo. Suas conversas serão com meus advogados a partir de agora. Adeus Leôncio.

Segurando-me para não chorar, saio correndo de sua sala, não suportando ver por mais nem um segundo o rosto dele.

Eu que vim fazer uma surpresa, acabei no final, sendo a mais surpreendida.

Capítulo 2 A Realização do Sonho

6 anos depois

Angeline

Sentada no chão do quarto de brinquedos, fico olhando encantada para minhas duas princesas, meus milagres.

Às vezes ainda é difícil acreditar que depois de tudo que passei, consegui realizar o sonho de ser mãe. Um sonho que por muito tempo acreditei que nunca iria se tornar real, principalmente depois da traição de Leôncio.

Aquela é uma época que não gosto de lembrar muito, o golpe de ser traída por quem eu amava me marcou profundamente, e não foi fácil me reerguer. Depois de finalizado o divórcio, me fechei totalmente, para nunca mais dar a chance para alguém destruir meu coração. Sei que isso me fez ficar com a fama de alguém fria e arrogante, mas os poucos amigos que tenho, sabem que não sou assim.

O único lado bom daquela decepção foi que ao me focar no trabalho, fiz nossa empresa prosperar muito, e me tornei a maior CEO no ramo hoteleiro, e a mais jovem em conquistar tantos prêmios. Atualmente, a rede Campion está presente em 35 países, e conta com 385 hotéis e resorts, sendo que desses, 218 ficam nos Estados Unidos. E, embora meu preferido seja o Resort Silver Lake, meu escritório fica no Playa Vista, até por ser mais perto de meu apartamento em Ocean Park.

No entanto, desde o ano passado que não tenho mais colocado a empresa como prioridade em minha vida. Tudo mudou para mim quando o destino decidiu me mostrar que eu poderia realizar meu maior sonho sozinha.

Essa esperança veio através da Dra. Cloé Bastet, uma médica reprodutivista, que lida especificamente com fertilização. Eu a conheci quando reservou o auditório do hotel para uma palestra, e como sempre tive o costume de ir dar boas-vindas, fui conversar com ela e ao saber o teor de seu trabalho, acabei por assistir a palestra inteira. Por lidar com fertilização in vitro, ao longo dos anos a dra. viu muitos embriões sendo descartados e não se sentia bem com isso, então criou um projeto de doação desses embriões para quem não pode ter filhos biológicos.

Eu achei a iniciativa linda, pois sei que existem mulheres como eu, que apenas a doação permite uma gestação. Não sei bem o que aconteceu, mas saber do projeto acendeu uma chama dentro de mim, que se tornou impossível ignorar. No entanto, eu ainda tinha medo, pois vivia presa no conceito de família, julgava impossível ter um filho sem ter um homem do meu lado, e assim não poder dar um lar bem estruturado. Mas minha família me mostrou que não era bem assim, que por mais importante que um pai seja, eu poderia ser mãe solo e nunca estaria sozinha, pois tinha eles ao meu lado.

Apesar do medo de falhar ou não dar conta de ser uma boa mãe, o desejo foi mais forte e eu não quis mais lutar contra ele, quis me sentir completa e realizar meu maior sonho, e assim, decidi que me tornaria mãe.

Após a decisão tomada, as coisas não se tornaram mais simples, foram dias de angustia, onde precisei fazer muitos exames para ver se depois de tanto tempo, e já estar com 32 anos, eu poderia gerar uma vida. Mas então tudo mudou rápido demais, no dia que recebi os exames positivos, também já tive a chance de fazer a fertilização, pois a doadora era contra a criopreservação do embrião e o tempo estava correndo.

Embora minha gravidez tenha sido uma grande bênção, não foi simples, pois por serem gêmeas, tornou mais complicado o que já era difícil, mesmo assim, fui até o final lutando por minhas meninas. Descobrir que seriam gêmeas foi uma surpresa e tanto, afinal eu tinha recebido apenas um embrião, mas a vida não me queria mãe de apenas uma bebê, era amor em dobro.

Para o bem delas, eu precisei ficar a gravidez toda em repouso, pois os riscos eram muitos. E não me importei, por elas se preciso fosse eu me mudaria para um hospital, mas apenas precisei ficar em casa, onde fazia alguns trabalhos online para auxiliar meu pai, que voltou a cuidar dos hotéis. Meu pré-natal era a cada 15 dias, e a médica estava sempre atenta a cada avanço delas, e cuidando para uma possível ruptura do meu útero, por segurança precisei fazer uma cerclagem, que é um procedimento em que se costura o colo uterino para evitar o nascimento antes da hora prevista, mesmo que eu não chegasse às 40 semanas, cada semana a mais para as meninas era fundamental para suas vidas. Ao completar 28 semanas, as consultas passaram a ser semanal, foi também nessa ocasião que comecei a tomar injeções para ajudar no amadurecimento dos pulmões delas e as preparar para a vida fora de mim. E quando completei 33 semanas, meu útero estava em seu limite, era o momento de fazer a cesariana.

E foi assim, que depois de uma gravidez difícil, no dia 20 de janeiro, nasceram meus anjinhos, Eveleen e Elleonor. A Evie medindo 39,4 centímetros e pesando 1,570 gramas e Elle medindo 39,6 e pesando 1,550 gramas. Minhas pequenas guerreiras tiveram que lutar pela vida desde o início, e não foram poucas batalhas que elas enfrentaram, depois de passar a gestação com a luta semana a semana para crescer em um espaço tão pequeno dentro de mim, foram os dias sem fim na UTI. Por nascerem prematuras, elas precisaram ficar por um mês na UTI e por conta das injeções, não precisaram ser intubadas, graças a Deus, nenhuma das duas teve complicações e se desenvolveram muito bem.

O que me ajudou muito a passar esse mês sem as duas foi o apoio de minha família, não era fácil ir à maternidade vê-las e não poder trazê-las comigo, muitas vezes eu chegava em casa e chorava pela separação. E mesmo com a dificuldade de ir até lá, eu fazia o trajeto duas vezes por dia para ver minhas meninas. A equipe também me ajudava muito, sendo sempre gentis e amorosos, explicando com calma cada procedimento que faziam com elas e como estava sendo a evolução de cada uma.

Por mais difícil que fosse tudo, eu sabia que precisava ser forte por elas, para poder cuidar de minhas meninas e dar a elas todo amor que tenho. Eu retirava o leite todos os dias e levava para elas, era uma alegria sem tamanho saber que meu leite estava alimentando as duas e ajudando-as a crescer.

Após saírem da UTI, elas ainda ficaram alguns dias no hospital, pois precisavam de monitoramento, e para que eu pudesse ficar mais tempo com elas, acabamos ficando todas em um quarto da maternidade, e assim, fui aprendendo o melhor modo de dar de mamar e a cuidar das duas.

Nunca me esquecerei da emoção que senti quando segurei cada uma pela primeira vez, era a concretização de meu maior sonho, minhas princesas em meus braços, eu havia conseguido e elas haviam vencido.

Aqueles lindos olhos verdes me olhavam com tamanha adoração, que era como se meu coração estivesse aprendendo pela primeira vez sobre o amor, e de certa forma era, pois era o amor de mãe. Era incrível como duas pessoas tão pequenas já me tinham na palma da mão, por elas eu sou capaz de lutar uma guerra e enfrentar o mundo.

Saio de minhas pensamentos e volto a prestar atenção no presente ao ouvir o choro de Elle, ela é a mais manhosa e sempre a primeira a chorar quando chega o horário de mamar. Em cada mamada, faço um rodízio para uma mamar no peito e a outra receber a fórmula, é melhor assim, pois não tenho leite suficiente para ambas.

Agora é a vez de Evie mamar no peito, e enquanto Nate não vem com a mamadeira de Elle, pego as duas nos braços e vou verificar as fraldas, porém, como sempre a Elle está inquieta e não me deixa olhar direito, o que me faz rir, minha pequena bravinha.

Azenate Horowitz, ou Nate como gosta de ser chamada, é a babá das meninas, mas antes disso, foi minha enfermeira durante a gestação. Ela havia se formado há pouco tempo em enfermagem, quando a contratei, e apesar de jovem, se mostrava ser esforçada e dedicada. A contratação dela foi a melhor coisa que fiz, não apenas pelo cuidado, mas por ter ganhado uma amiga incrível, o convívio diário nos aproximou muito, de modo que em 3 meses ela já era minha confidente.

Finalmente Nate chega e pega a Elle, assim me sento com Evie e a coloco em meu peito esquerdo, que é só dela e começo a lhe dar de mamar. Fico segurando sua mãozinha e brincando com a pulseira que Lohan deu, ele fez isso para diferenciar as meninas, a da Evie fica no braço esquerdo e a da Elle no direito. Ajuda até na hora de deitar para mamar, já que cada uma tem seu lado e não aceitam de outro jeito.

Quando terminamos, ambas estão dormindo, então as colocamos em sua cama montessoriana que fica neste quarto, ela fica bem próxima ao chão e dá mais liberdade a elas, mesmo que por enquanto ainda não estejam engatinhando, embora estejam começando a tentar e as vezes conseguem se arrastar.

Fecho o mosquiteiro da cama e após verificar a babá eletrônica, saímos em silêncio do quarto.

- Angie, você confirmou com o Lohan o jantar de hoje? - Nate pergunta quando sentamos na sala.

Hoje as meninas completam 8 meses e como ocorre todo mês desde que elas nasceram, iremos comemorar mais um mês de vida delas, com um jantar e um bolinho para festejar. E o Lohan faz sempre questão de preparar tudo, pois embora apenas o padrinho, ele meio que assumiu o lugar de pai das meninas, e sou muito grata por tudo que ele faz pelas sobrinhas.

- Confirmei sim, iremos descer lá pelas 19 horas.

Decido aproveitar a soneca das meninas e vou dormir um pouco também, com duas pequenas que necessitam sempre de cuidados, todo descanso é bem-vindo, mesmo com a Nate me ajudando, ainda é cansativo, pois elas acordam 2 vezes por noite para mamar, e assim meus sonos são curtos e pouco relaxantes.

Vou sentir falta disso na próxima semana, quando finalmente voltarei a trabalhar no hotel, já estou há tempo demais afastada, mas por enquanto irei trabalhar só meio período, pois não quero ficar muito tempo longe das meninas. Foi uma decisão difícil de tomar, mas como as meninas já estão comendo, poderei ficar por algumas horas fora.

Em meio aos pensamentos de como será o momento da separação, acabo adormecendo.

Capítulo 3 Momentos de Felicidade

Angeline

Observo minhas meninas prontas para sua festinha. As duas estão parecendo duas princesas com o vestido cheio de babados em tule na saia e uma tiara fina de flor na cabeça. Embora goste de vestir as duas iguais, prefiro que cada uma esteja com uma cor diferente, de modo que hoje a Elle está com roupa pink e a Evie está na cor violeta. E para combinar com elas, estou usando um vestido tubinho frente única com gola alta, a cor dele é um tom de vinho, que fica entre as tonalidades das meninas.

Com todas já prontas, descemos para o apartamento de Lohan, que é logo abaixo do meu. Foi uma grande sorte ele conseguir se mudar para o meu prédio.

Apesar de ser 7 anos mais novo, nós sempre fomos apegados e cuidamos um do outro. Quando me divorciei, ele quem esteve ao meu lado, e quando ele quis morar na França, eu fui a primeira em apoiar. A princípio a mudança seria só para fazer faculdade de gastronomia e se tornar um chef de cozinha, mas depois de um tempo acreditei que ele nunca voltaria para Los Angeles, até por ter uma namorada lá e parecer estar bem estabelecido, mas então, três dias depois que fiz a fertilização, ele voltou para ficar e cuidar de mim, e até as meninas completarem 3 meses, morou em meu apartamento e a sua companhia era muito boa, mesmo me provocando diariamente, principalmente após descobrir meu segredo.

Durante a gravidez, eu tive muito receio que terminar com Candice fosse abalar o Loy, mas ele se manteve firme. Também me senti culpada, afinal ele tinha vindo para cuidar de mim. Mas então entendi que eles tinham planos diferentes para o futuro, e que o Lohan preferiu ser honesto com a Candice e terminar. Eu só quero que os dois sejam felizes, pois ela era uma boa moça, que só não quis ficar longe da família, o que entendo, porque também não sei se iria para longe dos meus pais.

Assim que entramos, Lohan já pega Evie do colo de Nate.

- Olá minha princesinha, vamos para a cozinha provar o jantar?

Seguimos até a cozinha, e colocamos cada uma em sua cadeirinha presa à ilha, assim elas podem ficar nos olhando e ir comendo, coloco o babador nelas para não sujar o vestido e logo Lohan entrega uma tigela com a papinha delas para que Nate vá alimentando as duas. Fico olhando as panelas, aqui tem comida demais, o que me faz suspeitar que ele convidou mais pessoas para o jantar.

- Lohan, exatamente quantas pessoas você está esperando?

- Não muitas, além de nós e nossos pais, o César, a Ayumi, a Ashley e o Petrus, que dessa vez o namorado irá conseguir vir.

- Espera, a Ashley vai vir mesmo sabendo que o César estará aqui? - Pergunto surpresa.

A Ashley era concierge no hotel, e tinha um romance com o César, que não queria assumir que estavam juntos, mas ficava de birra se ela saísse com outro. Então, no ano passado a Ashley pediu transferência para o Silver Lake e terminou de vez o caso deles, pois se cansou de ficar esperando uma atitude e decidiu seguir com sua vida. Infelizmente isso afetou nosso grupo de amizades, já que ela não queria ficar próxima ao César, o que achei bem razoável.

- Com certeza, vai ser interessante ver a reação do César ao vê-la depois de tanto tempo.

Pois é, alguns só dão valor ao perder. Foi o que aconteceu com o César, que nos últimos meses vem pedindo transferência para o resort. Só não fiz nada, pois o Lohan insiste que o homem precisa sofrer mais para nunca mais magoar a Ashley.

- O César sabe que ela vai estar aqui?

- Por que acha que ele aceitou vir? - Seu tom é debochado.

- Talvez para me ver. - Dou uma piscada, o que faz ele rir.

Lohan sabe que é brincadeira, pois mesmo se estivesse aberta para um novo relacionamento, o que não estou, jamais ficaria com alguém que trabalha para mim.

- Não custa sonhar maninha. Mas e aí, está procurando um pai para as meninas?

Não nego que às vezes sinto falta de ter um companheiro ao meu lado, porém, as meninas são minha prioridade e não irei me arriscar em colocar qualquer pessoa em suas vidas. E nem mesmo me arrisco a sair com alguém e extravasar o tesão, que está mais do que acumulado depois de 20 meses sem ter um homem me tocando.

- Não mesmo, estou muito bem assim.

- Tem certeza, nem se encontrar o seu guindaste?

Esse foi um termo que a Nate nos apresentou no ano passado, é de origem brasileira e significa que um rapaz é muito gostoso, e quando uma moça senta nele, nem um guindaste tira de cima. Na ocasião acabei confessando que existia alguém assim, um homem que só vi uma vez na vida e evitava a qualquer custo pensar no assunto novamente, mesmo sendo impossível de esquecer aquele bendito momento. O maior problema é que Lohan ouviu nossa conversa de garotas, e desde então não me dá sossego.

- Muito menos com ele, e você sabe bem o motivo. - Digo encerrando a conversa.

- Sei também que as coisas mudam... - Ele me lança um olhar significativo, que me deixa confusa. - Mas olha, se quiser sair e procurar algum, eu fico de babá para você procurar um.

- Ei, nada de roubar meu trabalho. - Nate olha brava para ele.

- E você acha que eu daria conta dessas duas sozinho? - Sua expressão é de horrorizado. - Eu não sou louco.

- Que belo padrinho minhas filhas têm. E quando a sua afirmação, sim você é muito louco.

- Mal de família, maninha. - Fala nos fazendo rir.

O grito da Elle me assusta e me viro preocupada para ela, mas logo vejo que foi apenas porque Nate prestou atenção em nossa conversa e não deu comida para ela, a pequena está se esticando na cadeira para tentar pegar o prato e não conseguiu.

- Meu Deus, essa menina é igual a você com fome.

Se tem uma coisa que adoro, é ver cada coisinha que elas tem parecido comigo, principalmente no comportamento, já que fisicamente são só os olhos verdes e sei que não é mérito meu isso. Às vezes me pergunto de quem elas terão herdado os cabelos com de mel, um belo contraste com meus fios pretos. Já pensei em pintar de loiro para ficar mais parecida com elas, mas por amamentar não é recomendado, e desde o meu divórcio jurei nunca mais clarear os cabelos, que era algo que o Leôncio sempre amava que eu fizesse.

- É sim. - Falo com orgulho.

Com todos nós ainda sorrindo, Nate volta a dar comida a elas, Evie é mais calminha quando quer as coisas, normalmente só fica com os dá-dá dela. O que acaba sendo bom, pois se fossem as duas com o temperamento forte da Elle, eu teria muito mais trabalho.

A campainha toca e vou atender, são nossos pais e após darem um beijo em mim, entram e já vão logo dar um beijo nas meninas.

- Nossa mãe, primeiro se cumprimenta o dono da casa.

- Olha o drama menino. - Mesmo assim, Mel vai abraçá-lo.

- Mãe, não sabe que ele ainda é seu bebezinho?

- Um bebê de barba na cara, primeira vez que vejo isso. - Nosso pai é mais brincalhão que nós dois juntos.

- Vocês dois parem ou ficarão sem jantar. - Apenas lhe mostro a língua, o que faz a Mel revirar os olhos.

Como qualquer mãe, ela nem leva a sério as briguinhas entre o Lohan e eu, e embora ela seja mãe apenas dele, nunca tomou partido, não que algum dia isso foi necessário. Ela é o melhor exemplo que tenho de mãe, e prova que amor materno está bem acima de ser apenas por sangue.

- Afinal filho, o que teremos para o jantar?

- De aperitivo teremos canapés de salmão defumado com cream cheese e para o jantar será uma Paella com muito camarão. Deveria ter mais cenouras nela, porém, tem duas gatinhas comendo tudo.

- O que faz elas muito bem. - Mel faz toda semana uma cardápio de alimentação para elas. - Angie, elas estão comendo tudo que oferece?

- Estão sim, mãe, ontem as deixei comerem um pouco de macarrão sozinhas e elas fizeram uma bela bagunça, tirei até uma foto delas. - Pego o celular e mostro.

- Quanta fofura em uma foto. - Mel fala com tanto carinho.

- O bom de comerem assim, é que elas vão comendo e descobrindo ao mesmo tempo, se adaptando com as diferentes texturas. - Nate comenta.

- Sim, e elas adoram isso.

Como ambas já pararam de comer, meus pais as pegam e vão mimar um pouco as netas, enquanto vou ajudando Lohan a terminar de arrumar os canapés na bandeja.

Quando olho meus pais com as meninas, só penso que queria que meus avós fossem assim comigo, mas eles nem sequer se importam com minha existência. Ao menos tenho os pais de Melina, que me tratam como sua neta, sem diferença entre mim e o Lohan.

Minha mãe, Claire, morreu quando eu tinha 6 anos, e um ano depois meu pai se casou com a Melina, com quem logo me apeguei muito. Sentimento esse que se fortaleceu quando ela engravidou do Lohan, ela me incluía em tudo e ele se tornou o meu menininho. Ao menos até os 15 anos, quando os papéis se inverteram, ainda mais com ele se tornando maior que eu.

Aos poucos nossos convidados vão chegando e ficamos conversando ao redor da ilha e comendo os canapés. Quando Ashley chegou, fiquei reparando a atitude de César, que fez questão de sentar perto dela e ficou todo solícito, oferecendo canapé e cerveja.

Os últimos a chegarem são Petrus e seu namorado Emmett, essa é a segunda vez que o vejo, pois por ser policial, normalmente ele está de plantão, e Petrus acaba vindo sozinho.

Mesmo só tendo o visto uma vez, já ouvi muitas histórias do Emmett, que quando está de farda é um policial bem sério, mas quando está com os amigos, adora brincar e com isso se dá muito bem com meu irmão. Gosto muito de ver como os dois são companheiros, e pensar que foi justamente por Petrus ser gay que nos conhecemos.

Foi pouco antes de eu descobrir o projeto e começar o processo para ter as meninas, em um jantar com meus pais, a Melina me contou sobre o Petrus, que estava sendo contratado por um resort de luxo em Bel-Air, mas quando o proprietário descobriu que ele é gay, o dispensou na hora, humilhando muito o rapaz. Fiquei tão revoltada com a situação, e como precisava de um novo concierge, o chamei para uma entrevista, querendo de alguma forma desfazer a injustiça que ele sofreu. Acertei em cheio, pois Petrus tem um currículo incrível, ele é fluente em espanhol, italiano e francês, além de ter conhecimento básico em russo e português, e um diferencial importante é que ele sabe a língua de sinais. Mesmo sentindo muito por toda situação com o preconceito que Petrus sofreu, agradeço

É como dizem, o erro de uns, é a sorte de outros. E eu só tenho a agradecer por agora ele trabalhar comigo e ser nosso amigo.

Podem julgar que sou fria, mas tenho tudo que preciso bem aqui. Minha família e bons amigos. O que mais eu poderia querer?

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022